Kurban Bayramı: Feriado do Sacrifício na Turquia // Kurban Bayramı: Sacrifice Feast in Turkey

Kurban Bayramı: Feriado do Sacrifício na Turquia 

English

Unknown

 Essa semana a Turquia comemora o feriado mais longo e um dos dois principais feriados do seu calendário. O Kurban Bayramı (em turco) ou Eid al-Adha (em árabe) significa “Feriado do Sacrifício” e ocorre 70 dias após o Ramadan.  E apesar de já estar morando na Turquia há dois anos e meio, eu nunca passei o feriado do sacrifício aqui, os dois últimos feriados eu acabei aproveitando os dias livres do trabalho para viajar. Esse ano é a primeira vez que estou presenciando melhor as tradições e comemorações desse feriado e agora sim eu posso compartilhar tudo com mais detalhes para vocês.

História

O Feriado do sacrifício tem origem em uma história bíblica, a história conta que Deus resolveu testar Abraão pedindo  ele que sacrificasse o seu próprio filho. Um pouco antes de sacrificá-lo, um anjo apareceu e deu um carneiro para que fosse sacrificado ao invés do próprio filho. O interessante é que segundo Judeus e Cristãos, Abraão sacrificaria seu filho Isaac; já segundo Islâmicos, sacrificaria Ismael, considerado pai dos Mulçumanos.

A prática do sacrifício de animais foi deixada pra trás por Judeus e Cristãos, mas Mulçumanos à mantêm até então, como um importante ritual religioso, que não só dá valor ao sacrifício, mas também, e muito mais importante, à partilha da fartura com os mais necessitados.

Comemorações

As comemorações duram quatro dias mas as escolas não funcionam durante toda a semana, assim como muitas empresas liberam seus funcionários durante uma semana. Todos os muçulmanos que possuem condições financeiras devem sacrificar um animal e partilhar com familiares e com os mais pobres.

No primeiro dia, homens, mulheres e crianças vestem as suas melhores roupas (muitos compram roupas novas para esse feriado) e devem ir as mesquitas e fazer as orações antes de começar os sacrifícios. Os muçulmanos tradicionais continuam seguindo ao pé da letra a tradição. Antes do Bayram, muitas famílias compram animais e os alimentam no para prepará-los para o sacrifício. Muitas famílias ou vizinhos se juntam para poder comprar um animal e em cidades mais pequenas e mais religiosas, ainda são realizados rituais de sacrifício nas ruas ou nas praças, já nas cidades maiores essa prática é proibida e existem lugares específicos para realizar o sacrifício.

Faz parte dessa comemoração, visitar amigos e familiares. Em regra os mais novos devem visitar os mais velhos. Em algumas nações, por tradição cultural e não pelo Islam, algumas pessoas trocam presentes. Aqui na Turquia as crianças devem beijar a mão dos mais velhos e em seguida elevar até a testa e depois desse gesto, a pessoas mais velha dá alguma quantia em dinheiro para a criança.

Na hora do sacrifício, o homem que corta o pescoço do animal e as pessoas em volta falam em árabe “Em nome de Allah, o mais Bondoso, o mais Misericordioso”. E o sacrifício deve ser feito da forma como os Mulçumanos exigem que seus animais sejam mortos na indústria alimentícia, o Halal. Com o corte rápido na artéria carótida e da veia jugular na área do pescoço, o animal é suspenso pelas patas traseiras, perde quase todo o sangue e morre rapidamente, sofrendo o mínimo possível e evitando que as doenças contidas no sangue do animal sejam transmitidas aos seres humanos. 

No meu trabalho eles fazem o sacrifício de 5-6 carneiros todos os anos no pátio da empresa, como na foto acima, e partilham a carne com todos os funcionários.

Algumas partes da cidade ficam infestadas pelo cheiro de pasto, devido a grande quantidade de animais e aos poucos esse cheiro vai sendo substituídos pelo cheiro das comidas das reuniões familiares para longos cafés da manhã ou jantares.

É muito comum também as pessoas com melhores condições financeiras façam doações em dinheiro para alguma instituição de caridade ou ajudem alguém que esteja precisando, seja na rua ou em comunidades específicas.

Pode parecer um ritual cruel, mas para eles é uma demonstração de fé, sacrifício e partilha. Na minha opinião, acho que só pode criticar quem é vegetariano, vegano ou algo do tipo e não come nenhum tipo de carne, porque nas industrias alimentícias muitos animais são mortos de forma muito mais violenta. Eu fico sim com pena dos animais e não gosto de assistir o sacrifício, nem pessoalmente, nem em videos ou fotos e confesso que fico me sentindo mal ao comer carne nesses dias do feriado, mas não deixo de comer uma boa picanha quando estou no Brasil.

İyi bayramlar!!!


Kurban Bayramı: Sacrifice Feast in Turkey

English

Unknown

This week Turkey celebrates the longest and one of the two major holidays of their calendar. The Kurban Bayramı (in Turkish) or Eid al-Adha (in Arabic) means “Sacrifice Feast” and it occurs 70 days after the Ramadan. And even though I’ve been living in Turkey for two and a half years, I never spent this holiday here, the last two holidays I ended up enjoying the days off from work traveling. This year is the first time I am witnessing the traditions and celebrations of this holiday and now I can share everything with more details for you.

History

The Sacrifice Feast comes from a biblical story, the story says that God decided to test Abraham asking the him to sacrifice his own son. Just before the sacrifice, an angel appeared and gave a sheep to be sacrificed instead of his own son. The interesting thing is that according to Jewish and Christian, Abraham would sacrifice his son Isaac; but according to Islamic, he would sacrifice his son Ishmael, considered the father of Muslims.

The practice of animal sacrifice was left behind by Jewish and Christian, but Muslims still maintain it until now, as an important religious ritual, which not only gives value to the sacrifice, but also, and more importantly, the sharing of wealth with most in need.

Celebrations

The celebrations last for four days but schools don’t work throughout the whole week, and many companies release their employees for all the holiday week. All Muslims who have financial conditions must sacrifice an animal and share with family and with the poor.

On the first day, men, women and children wear their best clothes (many buy new clothes for that holiday) and should go the mosques and the prayers before starting the sacrifices. Traditional Muslims still follow to the letter the tradition. Before Bayram, many families buy animals and feed them in order to prepare them for sacrifice. Many families or neighbors get together to buy an animal and in smaller and more religious cities, it is still performed sacrifice rituals in the streets or in the squares, but at big cities this practice is prohibited and there are specific places to make the sacrifice.

It is part of this celebration, to visit friends and family. The rule is: newest should visit the elders. In some nations, by cultural tradition and not by Islam, some people exchange gifts. Here in Turkey children should kiss the hand of the elders and then lift up to the forehead and after this gesture, the older people give some amount of money for the child.

At the time of sacrifice, the man who cuts the neck of the animal and the people around speak in Arabic:  “In the name of Allah, the Most Kind, the Most Merciful.” And the sacrifice must be done the way Muslims demand that their animals are killed in the food industry, the Halal. With a fast cut on the carotid artery and jugular vein in the neck area, the animal is suspended by its hind legs, loses almost all blood and dies quickly, suffering the least possible and preventing diseases contained in the animal’s blood to be transmitted to human beings.

IMG_8966-1

At my work they make sacrifice of 5-6 sheep every year in the company yard, as pictured above, and share the meat with all employees.

Some parts of the city are infested by the pasture smell, due to the large number of animals and little by little that smell is being replaced by the smell of food from family gatherings for long breakfasts and dinners.

IMG_8964It’s also common for people with better financial conditions to make cash donations to some charity or help someone who is in need, whether in the street or in specific communities.

It may seem a cruel ritual, but for them it is a demonstration of faith, sacrifice and sharing. In my opinion, I think it can only be criticized by those who are vegetarian, vegan, someone that don’t eat any kind of meat, because in the food industries many animals are killed much more violently. I do feel pity about those animals and I don’t like to watch the sacrifice, not personally neither from videos or photos and I confess that I feel bad to eat meat during those holiday days, but I can’t resist a good steak when I’m in Brazil.

İyi bayramlar!!!

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